Terça-feira, 02 de junho de 2026
Técnico da seleção do Peru fala sobre reconstrução da equipe, defende continuidade de trabalho e analisa cenário do futebol nacional
Foto: DivulgaçãoEm entrevista concedida nesta terça-feira (2) à Rádio Grenal, o técnico Mano Menezes fez uma série de análises sobre o futebol brasileiro e sul-americano, com destaque para a defesa da continuidade nos projetos e críticas à instabilidade dos clubes.
Mano detalhou o início do trabalho à frente da seleção peruana, que passa por um processo de reformulação após não se classificar para a Copa do Mundo. Segundo ele, o objetivo é reorganizar a equipe e dar sequência a um novo ciclo.
“O convite para dirigir a seleção peruana nos orgulhou bastante. É sempre muito importante receber uma confiança desse tamanho, ainda mais sendo estrangeiro.”
O treinador também destacou o cenário esportivo da equipe.
“Só para se ter uma ideia, o Peru não vence há um ano e dois meses. Então o desafio é grande.”
Ele citou ainda os resultados recentes:
Ao comentar o mercado de jogadores, Mano defendeu maior atenção ao futebol da América do Sul por parte dos clubes brasileiros.
“O Peru está entre os mercados mais acessíveis da América Latina em termos financeiros.”
Ele também sugeriu maior valorização de atletas peruanos no Brasil.
“Gostaríamos que jogadores peruanos atuassem no Campeonato Brasileiro, que é um campeonato de nível muito mais alto.”
O ponto mais forte da entrevista foi a análise sobre o cenário dos clubes no Brasil, com críticas à falta de continuidade e à alta rotatividade de treinadores.
“Sem continuidade, os clubes ficam andando em círculos e não evoluem de uma temporada para outra.”
Mano também apontou o ambiente de pressão constante no futebol brasileiro.
“Hoje nós vemos técnicos sendo contratados já pressionados, treinadores líderes sendo criticados. O problema é que ninguém serve.”
O treinador afirmou que o ambiente do futebol se tornou mais instável e influenciado por múltiplos fatores externos.
“Se cria um ambiente com muita gente opinando e depois ninguém consegue sustentar o trabalho.”
Ele também destacou o impacto da pressão da torcida e da imprensa.
“O torcedor paga caro e se sente no direito de fazer muitas coisas erradas. Isso gera um ambiente em que ninguém serve.”
Ao projetar o desempenho do Brasil em Copas do Mundo, Mano adotou cautela e citou seleções que, em sua avaliação, estão em nível mais elevado.
“Hoje eu vejo França à frente, Espanha forte e Portugal podendo chegar.”
Sobre o Brasil, ele foi direto:
“O Brasil deve chegar até as quartas de final. A partir daí, depende do desempenho.”
Mano também comentou a evolução das comissões técnicas e o uso de dados no esporte moderno.
“O termo ‘analista de desempenho’ foi criado por mim.”
Ele afirmou que a função já existia anteriormente, mas sem a estrutura e a nomenclatura atual.
“A função evoluiu muito e hoje é fundamental nas comissões técnicas.”