“Parece que estamos no Coliseu e colocando os jogadores na arena”, diz Presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do RS

Competições seguem paralisadas em virtude da Covid-19

Foto: (Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Em entrevista exclusiva à Rádio Grenal, Paulo Mocellin, Presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul tocou em assuntos importantes que envolvem o retorno do futebol. O presidente foi crítico ao expor sua opinião em relação a volta dos treinamentos durante uma pandemia causada pelo novo coronavírus. “Estamos preocupados com o que está acontecendo. Sabemos que a dupla Grenal tem uma grande estrutura, mas mesmo entre alguns atletas da dupla há preocupação. As equipes do interior não tem condições de comprar testes. É uma situação bem complicada, imaginamos que ainda vai chegar o pico da doença”, ressaltou.

O Campeonato Gaúcho ainda não tem data definida para o retorno, o que causa preocupação de um lado e também alívio de outro. Para o presidente Paulo Mocellin é uma decisão precipitada retomar as atividades neste momento e afirma que testes por amostragem acarretarão em ações judiciais por parte do Sindicato, já que espera que seja feito o melhor para os atletas, não os colocando em risco caso o futebol realmente retorne. “Achamos precipitado porque ainda não há data para o retorno do estadual. Caso venha a acontecer esse tipo de teste, o sindicato vai entrar com uma ação judicial. Não se pode testar 10 atletas em um grupo de 30”, explica.

Um Campeonato Estadual envolve muitos jogadores além daqueles que chamamos de principais. No caso do Gauchão, existe muito mais do que Inter e Grêmio. O futebol no interior do estado é uma das questões levantadas para a tomada de decisão sobre o retorno ou não do campeonato. “No interior está meio a meio. Se for pensar na grana, a maioria quer voltar. Mas na saúde, muitos tem receio. A Terceirona não se tem definição alguma. Vão definir se vai sair no segundo semestre e também se vai sair a Copinha”, acrescenta.

Retorno em Maio

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sugeriu que os Campeonatos Estaduais sejam retomados em 17 de maio. A sugestão foi feita durante uma videoconferência, realizada no mês passado (28/04). A reunião virtual contou com a participação de membros da CBF e de dirigentes das federações locais. Cabe a cada presidente a articulação com os governos locais para viabilizar a retomada do calendário. Durante a entrevista, Paulo Mocellin afirmou que mesmo que tenha dado a sugestão de retorno em maio, a CBF não está viabilizando essa retomada. “O engraçado é que a CBF sugere a retomada dos campeonatos dia 17 de maio. Mas ela não está ajudando em nada nesse sentido. Não adianta fazer teste antes de recomeçar o campeonato e depois não fazer mais.”

Como funcionariam os testes?

O Ministério da Saúde deu parecer favorável à volta do futebol no país, mas fez ressalvas importantes sobre o Guia para Retomada Progressiva, elaborado por médicos de clubes e da CBF a fim de estabelecer protocolos para o retorno. O principal deles é a escassez de testes rápidos diante da escalada da doença em todo o país. Em nota a OMS diz que: “A CBF deverá garantir a realização dos testes e avaliações constantes não apenas nos atletas, mas também que seja ofertado aos membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores, assim como respectivos familiares e contactantes próximos.”

Segundo Mocellin, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Luciano Hocsman está buscando uma maneira viável para que todos os jogadores realizem o teste antes dos jogos e ainda afirma que a CBF tem verba suficiente para ajudar na compra do material. “Sei que o Luciano [Hocsman] está buscando um laboratório para fazer testes em todos jogadores antes dos jogos. Com certeza a CBF tem essa verba para ajudar. Tem de sobra. Só não ajuda porque não quer”, disse o presidente.

Muda o contrato? Muda o jogo?

Alguns contra e outros à favor do retorno aos gramados. Para Mocellin, o que pode pesar na opinião de certos atletas é o tempo de contrato que cada um possui com determinado clube. Inclusive, segundo ele, existe um projeto tramitando na Câmara dos Deputados visando a ampliação automática de contrato por 30 dias. “Alguns atletas que tem contrato encerrando em junho dependem desse último mês para viver. Os que tem contrato até o final do ano talvez sejam mais contra a volta do futebol. Está tendo um PL na câmara dos deputados que o atleta possa ter ampliado automaticamente o contrato por 30 dias para o encerrar o estadual”, salienta.

A CBF e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) assinaram, em 2017, um acordo para regulação do intervalo mínimo entre a realização de dois jogos de futebol. Em todas as competições coordenadas pela CBF, ficou instituído que, como regra geral, o tempo de 66 horas entre o término da primeira partida e o início da segunda seja respeitado. E será respeitado também neste momento. Mesmo que o retorno do futebol envolva um calendário de jogos exorbitantes, o intervalo deverá ser respeitado, inclusive pelo bem da saúde das pessoas envolvidas. “O intervalo de 66 horas entre um jogo e outro tem que ser mantido. Esse tempo necessário é comprovado até cientificamente. Quero ver quem vai se responsabilizar depois. Parece que estamos no Coliseu e colocando os jogadores na arena”, frisa o presidente Paulo Mocellin.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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