Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A medida foi aplicada nesta terça-feira (25) dentro das novas regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPAO Grêmio sofreu um bloqueio preventivo para o registro de novos jogadores determinado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, a Anresf. A medida foi aplicada nesta terça-feira (25) dentro das novas regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro.
Diferentemente de um transfer ban tradicional, o Tricolor não está totalmente proibido de contratar ou registrar jogadores. Enquanto a medida estiver em vigor, qualquer nova contratação precisará passar previamente pela análise e autorização da Anresf.
A restrição foi desencadeada após o Grêmio apresentar à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, um plano coletivo para pagamento de R$ 15.949.020,48 em dívidas distribuídas em 23 processos. A proposta prevê a quitação dos valores ao longo de 60 meses.
Entre os credores estão clubes, ex-jogadores e empresas ligadas ao futebol. Cascavel, Cuiabá, Corinthians, Rio Branco e Sport aparecem na relação, além do ex-meia Vina, do ex-zagueiro Paulo Miranda e de agências e intermediários. O Cascavel concentra os maiores valores da lista.
Pelas regras do Fair Play Financeiro, a apresentação desse tipo de plano é considerada um Evento de Insolvência. Por isso, a Anresf determinou automaticamente uma trava preventiva no sistema de registros da CBF. É o primeiro caso concreto de aplicação da Seção 8 do regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira, vigente desde o início de 2026.
Para obter autorização para um eventual reforço, o Grêmio precisa demonstrar saldo positivo nas operações com jogadores e manter os gastos com novas contratações, taxas e comissões dentro do valor arrecadado com vendas. A agência também analisa a folha salarial, que não pode superar a média registrada nos seis meses anteriores ao Evento de Insolvência.
O Grêmio afirma que não pretende realizar novas contratações nesta janela e entende que, mesmo se fosse ao mercado, teria condições de receber autorização. Segundo o clube, foram aproximadamente R$ 167 milhões arrecadados com vendas de jogadores em 2026, enquanto os investimentos em contratações ficaram abaixo desse montante e a folha salarial vem sendo reduzida.
Paralelamente, a CNRD já concedeu uma suspensão de eventuais punições por 90 dias enquanto analisa o plano coletivo apresentado pelo Grêmio. O clube também poderá negociar com a Anresf um Acordo de Reestruturação, com metas, limites de gastos e medidas para reorganização financeira.
Dessa forma, o bloqueio não significa que o Grêmio esteja simplesmente impedido de contratar. A consequência imediata é que o clube perde autonomia para registrar novos reforços e passa a depender do aval da Anresf, que avaliará se cada eventual operação está de acordo com as regras de sustentabilidade financeira.