“Vejo a história que construí e fico muito feliz”, diz Grafite ao relembrar sua trajetória como jogador de futebol

Santa Cruz foi último clube em que Grafite atuou

Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press

Em entrevista exclusiva à Rádio Grenal, Grafite, comentarista e ex-jogador do Grêmio e da Seleção Brasileira comentou sobre o momento em que estamos vivendo por conta da pandemia causada pela proliferação do novo coronavírus. Atualmente, o futebol mundial está paralisado, assim como diversas outras atividades que envolvam uma certa quantidade de pessoas. Grafite acredita que a pandemia, querendo ou não, deixará um ensinamento. “Creio que isso que estamos passando já estava escrito, para que possamos aprender. As pessoas estavam esquecendo do próximo. Ninguém queria tá passando por isso, mas vai deixar um aprendizado”, ressalta.

Edinaldo Batista Libânio, mais conhecido como Grafite, iniciou a carreira na Matonense, em 1999, após nunca ter passado por categorias de base. Foi no clube do interior que o jogador ganhou o apelido pelo qual é conhecido até hoje. Até então era conhecido como Dina, diminutivo de Edinaldo. Quem o batizou como Grafite foi o técnico Estevam Soares. “Meu apelido era Dina. Quando fui fazer um teste na Ponte, o Estevam Soares me apelidou de Grafite. Achei que não ia pegar. Fiz teste com ele, aprovei e a minha camisa veio com nome de Grafite”, explicou. Além Matonense, Grafite passou por mais onze clubes: Ferroviária, Santa Cruz, Grêmio, Anyang Cheetahs, Goiás, São Paulo, Le Mans, Wolfsburg, Al-Ahli, Ah-Sadd, Santa Cruz e Atlético Paranaense.

Passagem pelo Grêmio

Contratado pelo Grêmio por R$ 1 milhão, não ficou por muito tempo no tricolor. Grafite fez apenas cinco gols pelo clube. No terceiro jogo da temporada, uma lesão no joelho marcou a passagem do, na época, atacante. Mesmo em uma passagem curta, Grafite fez “amigos” enquanto esteve instalado na capital gaúcha. “No prédio que eu morei em Porto Alegre, tinha um porteiro gremista. Ele me atualizava sobre as notas que o jornal me dava depois do jogo. Ouvia corneta dele quando eu ia mal e pegava perna de pau”, brincou.

Em 2003, Grafite foi transferido para o Anyang Cheetahs, da Coréia do Sul. “O Grêmio me emprestou pra um clube da Coréia, recebeu tudo. O clube me pagou um valor adiantado também, mas demorei pra ser inscrito lá pois o Grêmio tinha uma restrição na FIFA do caso Ronaldinho”, destaca.

Convocação para a Copa do Mundo

Na sua passagem pelo São Paulo, Grafite explodiu no cenário nacional, conquistando alguns dos títulos mais importantes da história do clube, como a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005. Ainda em 2005, recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira. Em 2006, Grafite desembarcou em solo francês para defender o Le Mans. Na sequência, foi contratado pelo emergente Wolfsburg, da Alemanha. Com a camisa verde do clube alemão Grafite viveu o auge de sua carreira.

Formando dupla com Edin Dzeko, o brasileiro ajudou os lobos a conquistarem o primeiro título alemão de sua história, na temporada 2008/2009, sendo também artilheiro da competição. Mesmo não repetindo o mesmo sucesso da temporada anterior, Grafite foi surpreendido por Dunga com uma convocação para a Copa do Mundo de 2010 e sobre a competição, ele diz: “O jogo com a Holanda foi marcante. Só a gente jogou no primeiro tempo, podíamos ter goleado. No segundo, o jogo virou rápido. Foi marcante. A gente acreditava muito no título.”

O, agora, comentarista, falou sobre o seu desempenho no jogo contra Portugal, o qual ficou marcado por ser o momento em que Grafite deixou de ser convocado para atuar em Copas do Mundo. “Eu já não vinha treinando bem. No jogo contra Portugal, o Dunga pediu pra eu entrar e jogar pelo lado. Entrei, tentei uma jogada pelo meio e deu errado. Ele ficou bravo. Depois, não fui mais chamado”, frisa.

Aposentadoria

A carreira de Grafite como jogador de futebol chegou ao fim em 2018, através de um anúncio divulgado em suas redes sociais. Aos 38 anos, o centroavante, na época contratado pelo Santa Cruz, deixou o clube e de quebra pendurou as chuteiras. Grafite encerrou sua participação no Santa Cruz depois de quatro temporadas defendendo o clube. A primeira vez foi em 2001, onde se destacou e foi para o Grêmio. Logo depois, em 2002, retornou. A segunda volta foi em 2015, quando ajudou a equipe a subir para a Série A do Campeonato Brasileiro e no ano seguinte a conquistar o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste.

“O Santa Cruz contratou o Lê e o empresário insistiu pra que me levassem junto. O presidente não queria. Mas ele insistiu muito. Hoje, olhando pra trás, vejo a história que construí e fico muito feliz.”

* Por supervisão de: Marjana Vargas

Voltar Todas de Futebol

Compartilhe esta notícia:

“Queremos trabalhar com a linha de preservação das 38 rodadas”, afirma secretário-geral da CBF sobre a realização do Brasileirão
Ricardo Colbachini, ex-Inter, é o terceiro treinador contratado pelo Pelotas em 2020
Deixe seu comentário