Suspensão de contratos, redução de salários e treinos virtuais: a situação das equipes femininas da dupla Grenal

Com os treinos suspensos e sem previsão para retorno, a dupla Grenal precisou se readequar para manter o vínculo com as atletas.

Foto: (Mariana Capra/S.C. Internacional)

O futebol feminino também parou devido à pandemia do novo coronavírus. Em Porto Alegre, a dupla Grenal liberou suas atletas para voltarem para casa e mantêm os treinos de forma virtual. Apesar das equipes masculinas terem voltado aos treinos, no feminino não há uma data determinada para que isso aconteça.

Devido à crise causada pela pandemia, em abril, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma ajuda financeira aos clubes que disputam as séries A1 e A2. Grêmio e Inter, por disputarem a primeira divisão do campeonato, receberam um valor de R$ 120 mil que, segundo os clubes, foi usado para quitar o salário das atletas. Em contato com a Rádio Grenal, a CBF informou que não possui previsão de volta de competições nacionais, mas que o objetivo é que todas sejam disputadas ainda esse ano.

No início da pandemia, o Grêmio concedeu um mês de férias para todas as atletas, mas após esse tempo, o clube optou por suspender temporariamente o contrato das jogadoras e da comissão técnica. O coordenador da equipe feminina gremista, Álvaro Prange, revela que, mesmo com a suspensão de contrato, o clube segue dando apoio às jogadoras.

“O Grêmio tem utilizado o valor (pago pela CBF) integralmente para o pagamento do salário das jogadoras. A gente mantêm os contratos, eles estão suspensos, mas uma parte segue sendo paga pelo Grêmio. Mesmo os contratos que o percentual ficaria muito abaixo do que as atletas ou os funcionários recebem, o Grêmio colaborou um pouco mais para que ninguém perca menos de 25% do seu contrato”, relatou o coordenador.

O alojamento do Estádio Vieirão, em Gravataí, onde as atletas treinam, foi fechado, e as atletas foram liberadas para voltar para suas cidades. Segundo Álvaro, o clube segue oferecendo diversos serviços às atletas, como palestras com o departamento médico, psicólogos, além de um acompanhamento da parte física.

Por estarem com os contratos suspensos, as atletas não são obrigadas a aderirem às atividades propostas pelo clube, mas todas seguem realizando os trabalhos diariamente. A camisa 10 gremista, Karina, reforça que o tricolor gaúcho dá todo o apoio necessário, mas a preocupação sobre o futuro é inevitável.

“Todas estão com muita preocupação. Será que vai voltar o Campeonato Brasileiro, que é o nosso principal campeonato nesse ano? Será que o nosso contrato vai ser mantido depois da pandemia? Será que os treinos voltam mês que vem? Será que não voltam? Então a gente está nessa expectativa…”

As Gurias Coloradas também receberam férias no início da pandemia, e após o descanso, o clube organizou treinos virtuais. De segunda à sexta-feira, elas realizam treinos físicos, se reúnem com o técnico e, pelo menos uma vez por semana fazem acompanhamento com a nutricionista e a psicóloga do clube. Duda Luizelli, coordenadora técnica do Inter, conta que tudo foi adaptado para a nova realidade das atletas.

“A gente fez um questionário para saber se elas tinham condições de fazer os treinos em locais abertos, ou em locais fechados, se alguma estava indo para a academia ou não… Então a gente tem tudo planilhado para saber o tipo de treino com determinada categoria, com qual profissional, enfim, com cada atleta”, relata Duda.

Diferente da suspensão de contrato feita pelo Grêmio, o Inter optou pela diminuição de 25% do salário das atletas e da comissão técnica. O dinheiro recebido pela CBF, foi usado para quitar uma parte desses salários, e, segundo Duda, o clube segue pagando todas as atletas em dia. A goleira colorada Kemelli voltou para a casa da sua família no Rio de Janeiro e acompanha os treinos de longe. Apesar da redução de salário, ela vê a decisão como uma saída para enfrentar a crise causada pela pandemia.

“A gente sabe que em meio à crise as coisas acontecem. A gente entende e sabe que é o melhor para o clube. Então, a redução foi mínima, e acredito que não vai impactar tanto no nosso bolso. A gente sente, óbvio, mas sabe que é o melhor para o clube”.

Segundo Duda e Álvaro, a dupla Grenal mantêm contato direto com a CBF e prevê o retorno do Campeonato Brasileiro para setembro. O Campeonato Gaúcho se mantém com previsão de início para o final do ano. Mas as dúvidas e as incertezas sobre o futuro das atletas continuam. Enquanto nada é decidido, elas seguem se preparando para quando o momento do retorno aos gramados chegar, e não veem a hora de calçarem as chuteiras novamente.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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