Para Renato Gaúcho, o Grêmio pode encarar o Real Madrid de igual para igual

O roupeiro passa pelo técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, 56 anos, e deixa um tênis para ser usado depois. “O chapéu foi uma honra”, murmura o funcionário, antes de ir embora. O treinador aponta para ele com a cabeça e faz expressão de quem está acostumado com aquilo. “Fizemos um jogo da comissão técnica. Ele [o roupeiro] foi brincar comigo no dois toques… Levou um chapéu.”

Em meados dos anos 1980, quando era astro do Flamengo, Renato ensaiou pedido para ser chamado de Renato Carioca. A ideia não tinha como vingar. Ele está para sempre associado ao Grêmio.

Sua residência ainda fica no Rio de Janeiro (tanto que em Porto Alegre mora há dois anos em um hotel), mas não há como tirar o “gaúcho” do nome.

Ele se sente em casa no Grêmio. O que diz, é lei. Não apenas pela história que construiu como jogador, herói do título mundial de 1983, mas pelo que fez a partir de 2016 como técnico. Foi campeão gaúcho, da Copa do Brasil, da Libertadores e da Recopa.

Faltou o Mundial. No ano passado, foi derrotado por 1 a 0 na final pelo Real Madrid. “[Neste ano] eu, com meu elenco completo, faço frente ao Real”, promete.

Antes, tem de levantar de novo o troféu continental. Nesta terça-feira (23), às 21h45min, faz o jogo de ida da semifinal contra o River Plate em um torneio que Renato reconhece ser complicado, mas sem a dificuldade existente quando ele era ponta direita do clube gaúcho.

Leia abaixo algumas declarações dadas pelo treinador em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo.

Se o Grêmio passar pelo River só fará o segundo jogo da final em casa se pegar o Boca Juniors. Isso faz diferença?

“Muita. É sempre bom decidir em casa, especialmente contra argentino. Tanto para nós quanto para o Palmeiras [a semi], não será fácil. Apesar de eu achar que o River tem time melhor que o do Boca.”

A Libertadores é mais tranquila hoje do que quando você era jogador?

“Tinha de ser muito homem para jogar Libertadores na minha época. Não tinha VAR [árbitro assistente de vídeo]. Não tinha árbitro atrás do gol. Era um canal de TV que passava os jogos e não havia antidoping.”

Você enfrentou muito marcador babando?

“Babando literalmente, comendo grama, sacaneando. Hoje a Libertadores, comparada com a minha época, é mamão com açúcar.”

Vendo o Real Madrid atual, o Grêmio teria mais chances de vencer?

“Precisamos ganhar primeiro a Libertadores mas eu, com o meu elenco completo, faço frente ao Real Madrid.”

Aborrecem as críticas de que o Grêmio foi muito defensivo na final do Mundial?

“É muito fácil [falar]. Eu concordo que o Grêmio foi mal, mas não é que o time quis jogar daquela forma. Não tinha as peças. Nossos volantes [Arthur e Maicon] não estavam e eles faziam o time jogar. O Real era o melhor time do mundo, mas pergunto: o que o melhor time do mundo fez contra a gente?”

Um gol de falta que a bola passou no meio da barreira.

“Se o Grêmio ganhar a Libertadores de novo, eles vão ter muito trabalho com a gente. [Na final de 2017] eu olhava pra o lado, enquanto estava 0 a 0, e via o Zidane [então técnico do Real] coçar a careca. Com aquilo tudo no time dele. Pensei: se ele está coçando a careca, se estivesse no meu lugar daria um tiro na cabeça.”

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