“Os jogadores também são seres humanos”, diz Príncipe Jajá, Tricampeão Brasileiro com o Inter

Foto: Sport Club Internacional/Divulgação

Tricampeão Brasileiro com o Inter, Príncipe Jajá foi destaque na manhã desta terça-feira (28) na Rádio Grenal. O ex-meia colorado falou sobre a época em que atuou pelo clube e sobre o futuro do futebol no Brasil, já que o esporte está paralisado devido a pandemia causada pelo novo coronavírus. Sendo assim, não sabemos quando as competições voltarão ao normal. Uma das alternativas para cessar a inquietude do torcedor ou do profissional que depende da modalidade, é retomar as partidas com portões fechados, respeitando as medidas da Organização Mundial da Saúde. “O futebol é um vício. Não aguento mais ficar sem futebol. O meu divertimento de todas as quartas e domingos. Não tá fácil. Acho que esse ano tá perdido em relação ao futebol. O jogador vai ter que jogar de máscara? Os jogadores também são seres humanos”.

Filho do também jogador de futebol Laerte Prates. Jair nasceu em Porto Alegre e foi criado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Em função da profissão do pai, morou também em Bogotá e Barranquilla, retornando a Porto Alegre no final da década de 1960. Começou sua carreira nas categorias de base do Inter, após ter jogado futebol de salão na Sogipa. “Eu ficava nos Eucaliptos com 14 anos, na Base do Inter. Almoçava em um restaurante simples ali perto e brincava com os filhos pequenos da dona. Hoje, encontro eles e converso. É ótimo poder lembrar das minhas origens”, explica.

Trajetória no Inter

Jair Gonçalves Prates marcou 177 gols com a camisa vermelha, sendo tricampeão brasileiro (1975, 1976 e 1979) e quatro vezes campeão gaúcho (1974, 1975, 1976 e 1978). É o nono maior artilheiro colorado. Em 1980, Jair treinava separado dos restantes colegas de Beira-Rio, sem contrato. Até que foi chamado pela diretoria para “vencer o Grenal” e substituir Valdomiro, na época, lesionado. Caso conseguisse, renovaria o contrato com o clube gaúcho. Jair fez os dois cruzamentos que resultaram na vitória do Inter por 2×0. “É difícil você ser campeão da América e do Mundo como eu fui. É difícil ser campeão brasileiro invicto e ídolo do Inter. Eu me sinto privilegiado. Só tenho a agradecer a Deus por ter conseguido realizar um bom trabalho”, conta.

Em 1976, foi octacampeão gaúcho pelo Inter. No bi-campeonato brasileiro de 1976, Jair participou efetivamente da campanha, atuando em 22 dos 23 jogos e marcando 8 gols. “Uma vez, me perguntaram no Inter se eu queria ser emprestado pro interior pra ganhar experiência. Recusei. Mesmo sem jogar, ali eu estava com os melhores e ia aprender. No interior, eu ia desaprender e corria o risco de nem voltar”, comenta.

Nada cai de paraquedas. Durante um ano, Jair ficou treinando na lateral, posteriormente, durante os treinamentos, dez minutos era destinado ao coletivo. Outra maneira que Jair encontrou para absorver os treinamentos, era reservar quarenta minutos para chutar de forma contínua a bola à gol, especificamente em Ilo, na época, goleiro do Inter. Foi por causa dessa dedicação que o ex-meia aprendeu a perfeição do chute. “Eu batia de trivela e a bola fazia três curvas. O goleiro ia na segunda curva, mas a terceira enganava ele. Então, não tinha morrinho artilheiro, não tinha vento, não tinha falha do goleiro, eram as curvas que eu colocava”, relembra.

Futebol Brasileiro

Atualmente, a maior parte das lesões não está relacionada a pancadas, mas sim a movimentos de rotação e explosão muscular. O ex-meia colorado é da época em que repetir os movimentos auxiliava para que durante a partida oficial, o corpo já estivesse preparado para determinado esforço físico. “Eu sempre digo que para chutar bem você tem que ter vários ângulos, postura, respiração adequada e tudo isso tem que ser ensinado para essa gurizada. Atualmente, nas categorias de base, ninguém chuta trivela, pelo contrário. Os garotos sobem para o profissional sem saber chutar uma bola”, explica.

Jair acredita que o dom existe. Mas, você precisa aprimora-lo. E segundo ele, o trabalho só é aproveitado se for seguido de uma série de repetições de movimentos feitas pelo próprio jogador. “Ouvi dizer que não existem mais batedores. Se você não treinar e fazer movimentos repetitivos, não terá mesmo. Acredito que dom existe e que você nasce com ele, mas é necessário treinar, principalmente agora que o futebol brasileiro precisa de uma bola, porque é essa bola que vai te dar a vitória. Mas os caras não treinam”.

Sobre o futuro, Príncipe Jajá diz que poderia até assinar um contrato com o Inter apenas para bater falta. “Eu ainda chuto direitinho. Poderia assinar um contrato com o Inter, onde eu ficarei aquecendo e quando der uma falta, eu entro e bato, mas logo em seguida saio de campo. Não tenho mais fôlego para uma partida inteira”, brinca.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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