OPINIÃO: Surpreendentes, Esportivo e Novo Hamburgo mostram que não havia receita certa para encarar a pandemia

Com grupo modificado e apenas 8 dias de treinamento, Novo Hamburgo surpreendeu e chegou à semi-final

Foto: João Goularte/ECNH

*Por Nícolas Wagner

De modo surpreendente, Esportivo e Novo Hamburgo desbancaram a dupla Ca-Ju e serão os adversários da dupla Grenal na semi-final do 2º turno do Gauchão. O Tivo conseguiu uma emocionante vitória por 3 a 2 sobre o Juventude, em Caxias do Sul, enquanto o Noia segurou um 0 a 0 com os reservas do Grêmio em Lajeado. O curioso é que, apesar de não terem competições nacionais para disputar na sequência da temporada, os dois clubes adotaram estratégias bastante distintas para enfrentar a pandemia. O sucesso de ambos nesse retorno do Gauchão mostra que não havia uma receita certa e outra errada.

Com os contratos dos atletas vencendo em abril, mês originalmente estipulado para o final do estadual, o Esportivo decidiu renovar com os jogadores, já projetando o retorno do Gauchão. Houve uma redução salarial de 70%, mas o clube seguiu acumulando gastos enquanto as receitas não entravam por conta da paralisação do futebol. O intuito era manter o grupo de atletas que fazia boa campanha para continuar a caminhada rumo ao título do interior e à conquista da vaga à Série D do Campeonato Brasileiro. Deu certo. Com empates contra Ypiranga e Inter, além da vitória contra o Juventude, o Esportivo praticamente garantiu os dois objetivos, que só não serão atingidos se o Novo Hamburgo for o campeão do 2º turno.

A equipe do Vale dos Sinos, por sua vez, não renovou com os atletas após o fim do contrato destes. Somente alguns poucos garotos da base seguiram vinculados ao clube. O cancelamento do rebaixamento desta edição do Gauchão deu um pouco mais de tranquilidade para o Noia. Ao ficar definido o retorno da competição para 22 de julho, a diretoria correu contra o tempo. Contratou um novo treinador, Márcio Nunes, e só então acertou a volta de 15 jogadores, além de trazer 6 reforços que não estavam no início da campanha. Por conta dessa demora, perdeu peças importantes, como Felipe Mattioni, Itaqui, Felipe Lima e Alison. Mas nem esse novo desenho de equipe, nem os pouquíssimos 8 dias de treinamento evitaram o Novo Hamburgo de empatar com o Aimoré no clássico, vencer o São José, segurar o Grêmio e, assim, carimbar uma até outrora inimaginável vaga para a semi-final do turno.

Além de Esportivo e Novo Hamburgo, o outro time do Gauchão que não tem calendário cheio (ou seja, renovou ou trouxe atletas para 3 jogos) é o Aimoré. Que, por também sonhar com vagas em competições nacionais, adotou a mesma estratégia da equipe de Bento Gonçalves, renovando e pagando os atletas durante a pandemia. Mas o Índio sucumbiu, conquistando apenas 2 pontos nos 3 jogos após o retorno. Ficou sem vaga e com prejuízo financeira extra. Por outro lado, o Pelotas, que disputa a Série D a partir de setembro, mudou quase todo elenco. Assim como o Noia, acertou com os atletas a poucas semanas do reinício do Gauchão. Mas o resultado foi negativo, já que perdeu para Caxias e São José, sendo “rebaixado financeiramente” – os dois últimos do Gauchão receberão apenas 25% da cota da televisão no ano que vem.

Em resumo: Esportivo e Aimoré adotaram estratégias similares. Um foi bem sucedido, outro não. Novo Hamburgo e Pelotas adotaram outra estratégia, parecidas entre si. Um foi bem sucedido, outro não. O ineditismo trazido pela pandemia forçou os clubes a tomarem decisões cujo resultado era imprevisível. Acrescenta-se a isso o “acaso” das mudanças dos locais das partidas. Não se trata de diminuir o feito de Esportivo e Novo Hamburgo, que estão entre os 4 do 2º turno merecidamente. Mas para um período incerto, as soluções também eram incertas.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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