OPINIÃO: O que o brilho da taça não pode ofuscar

Grêmio de Renato chegou a tricampeonato gaúcho, mas com péssima atuação contra o Caxias

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

*Por Nícolas Wagner

O Grêmio está certo em comemorar e muito o tricampeonato gaúcho, que não conquistava consecutivamente desde 1987. Mas também precisa agir assertivamente ao fazer uma autocrítica e reconhecer a péssima atuação no jogo de volta da final contra o Caxias. Especialmente porque não foi um caso isolado. Em 2020, o Grêmio está “off” com  frequência.

Após abrir o placar com Diego Souza, o tricolor sentou com preguiça na vantagem que era de 3 a 0 no agregado. Com pouca intensidade, deixou o Caxias gostar do jogo e empatar antes do intervalo, em cabeceio de Laércio após cruzamento de Ivan, responsável direto ou indireto de quase todos gols do grená no Gauchão.

Para sustentar os avanços de seu lateral direito que atuou como ponta, o promissor técnico Rafael Lacerda havia começado com o volante Marabá na lateral. Para o segundo tempo, foi mais ousado. Voltou com o atacante Bruninho no lugar de Marabá, recolocando Ivan na sua posição de origem. Segurou os volantes para soltar os laterais, ocupou o campo do Grêmio com muita movimentação dos extremas que caiam por dentro, e logo virou em uma jogada bem trabalhada, com o chute cruzado de Bruninho contando com o auxílio do desvio de Kannemann.

O Grêmio não soube reagir a essa postura do Caxias. Darlan e Lucas Silva, de atuações abaixo da crítica, somados erraram 18 passes. Renato mexeu mal, agindo perigosamente ao formatar o meio de campo com Darlan, Isaque e Thiago Neves, deixando Maicon, o cara mais apropriado para o momento, no banco quase até o final. O tricolor viu o grená ficar com a bola 66% do tempo na segundo etapa, o que é muito incomum na Arena, ainda mais tendo como adversário uma equipe de Série D.

A sorte do Grêmio foi que faltou um pouco mais de perna e qualidade para o Caxias, que fez brilhante campanha e não se vitimizou por ter perdido 5 atletas e ficado quase um mês sem jogar antes da final. Lacerda foi indiscutivelmente o melhor técnico do Gauchão e merece todas reverências possíveis após quase ter tido o primeiro trabalho como comandante interrompido diante de mau desempenho na pré-temporada. Se o grupo não for desmanchado, tem tudo para conquistar o acesso na Série D, uma necessidade que o grená tem para ontem.

Já o tricolor precisa de uma avaliação interna que, pelos discursos de Renato e direção, não será feita. O treinador pode sim se vangloriar das 7 conquistas nestes quase 4 anos de passagem pelo Grêmio. Mas precisa detectar e corrigir os erros que vêm acontecendo em sua equipe. Um time que almeja seguir conquistando não pode apagar tão seguido nos jogos. Não pode escolher em quais partidas ou momentos das mesmas estará ligado no 220v. Vale destacar que não foi assim só contra o Caxias, para quem perdeu três das quatro partidas no ano. Mas contra Aimoré, Novo Hamburgo, Ceará e aí por diante.

Não se trata de “jogar bonito” ou vencer, como sugeriu Renato na entrevista pós-jogo. Até porque essa é uma discussão muito vazia, como se para ganhar fosse necessário jogar feio, e essa declaração soa paradoxal ao passo que o próprio treinador se vangloriou por muito tempo do fato de seu Grêmio jogar o melhor futebol do país. Independente da estética, é preciso ser regular e eficiente dentro de uma estratégia para ter o controle o jogo. E o Grêmio não teve isso mais uma vez.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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