OPINIÃO: Negociações de Erik e Gustavo são alívio financeiro sem prejuízo técnico para o Inter

Com 15% do passe, Inter pode lucrar com venda do atacante para o futebol coreano

Foto: Ricardo Duarte / S.C. Internacional

Por Nícolas Wagner*

Não é novidade que a crise financeira potencializada pela pandemia da Covid-19 torna necessário o Inter vender jogadores para fazer caixa. Porém, poucos esperavam que os nomes a receberem investidas do futebol do exterior seriam Erik e Gustavo. O lateral esquerdo de 19 anos está na mira do Al Ain, dos Emirados Árabes. Já o atacante, de 26, que está emprestado pelo Corinthians, é desejo do Jeonbuk Motors, da Coréia do Sul. Sendo os valores minimamente aceitáveis, o Inter deve vendê-los sem peso na consciência.

Erik já estava fora dos planos do técnico Eduardo Coudet. No início da temporada, o colorado chegou a comunicar ao garoto oriundo do celeiro de ases que ele seria emprestado para outro clube. Depois, a direção voltou atrás, mas o lateral seguiu sem espaço no time principal. É o 4º na hierarquia, atrás de Moisés, Uendel e Natanael. Claro que é lamentável o Inter gastar quase R$ 300 mil por mês com este último, que já se mostrou insuficiente. Erik poderia ser a 3ª opção, e ter recebido alguns minutos no Campeonato Gaúcho. Ainda assim, está longe de estar pronto para brigar por titularidade.

O garoto se destacou pela qualidade no apoio na conquista do Gauchão sub-20 no ano passado, especialmente na semi-final contra o Grêmio. Foi treinar com o time principal na intertemporada em Atibaia, e no 2º semestre variou entre aspirantes e profissional, onde entrou em duas partidas no Campeonato Brasileiro – contra Athletico e Goiás. Apesar da pequena amostragem, foi nítida a inferioridade física de Erik em relação aos adversários, apresentando dificuldade para compor a linha de quatro defensiva. O mesmo pôde ser observado em alguns jogos contra times profissionais na Copa Seu Verardi, em que o Inter foi eliminado após sofrer uma goleada de 5 a 1 para o São José.

Além disso, é preciso considerar o olhar do comandante. Coudet acompanha o jogador diariamente, e já disse mais de uma vez que a “bola não pede documento”. O argentino coloca os jovens para jogar, como fez com Jhonny, Praxedes e Guilherme Pato. Se não colocou Erik, foi por questão de qualidade, não de idade. Assim, é difícil imaginar que o garoto teria oportunidades para ganhar valorização no mercado e protagonizar uma venda maior em um futuro próximo. A polêmica nas redes sociais em setembro passado, quando o lateral curtiu uma foto da geral do Grêmio, tampouco parece ter relação direta aqui.

De qualquer modo, é curioso um time dos Emirados Árabes ter interesse em um jogador que praticamente não atuou como profissional. Mais um exemplo do futebol globalizado, e, talvez, do poder de empresários para colocar atletas brasileiros em diferentes lugares. Sendo bastante jovem, Erik terá oportunidade de se desenvolver em um futebol mais fraco, e certamente será personagem de futuras transações, para o que será importante o Inter manter um percentual considerável do passe do atleta.

Quanto a Gustavo, a direção colorada teve uma boa iniciativa ao adquirir 15% dos direitos do atacante quando o trouxe por empréstimo do Corinthians. Agora, cabe ao Inter aceitar a investida do Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul, já que todas outras partes envolvidas no negócio parecem satisfeitas com os termos.

Ainda que o Inter tenha feito um esforço considerável para encontrar um substituto a Paolo Guerrero, Gustavo não é unanimidade. Seus números na carreira são interessantes. Foram 18 gols em 32 jogos pelo Criciúma em 2016, e em 2018, temporada em que atraiu os holofotes do futebol brasileiro, marcou 30 vezes em 45 partidas pelo Fortaleza, sendo inclusive artilheiro da Série B. No Corinthians, mesmo oscilando e perdendo espaço ao longo da temporada, anotou 14 tentos ano passado.

Boa parte desses gols foram de cabeça. É a principal característica de Gustavo, que além da altura – 1,89m – tem uma ótima impulsão. Porém, tecnicamente deixa a desejar. Os três primeiros jogos que fez pelo Inter mostraram isso. É difícil vislumbrá-lo como mais do que uma arma aérea para o colorado. Está longe de ter a qualidade de Guerrero para fazer o pivô e não tem uma intensidade que salte aos olhos para fazer a marcação pressão tão desejada por Coudet.

Em resumo, se de fato sair, a real falta que Gustavo fará ao Inter será opção para bola aérea. Mesmo que não tenha no elenco outro centroavante de ofício além de Guerrero, e que o colorado não deva buscar reposição no mercado pela crise financeira, Coudet pode encontrar soluções caseiras. Em recente entrevista coletiva, na qual reconheceu a possibilidade da venda de Gustavo diante da busca do Inter pelo equilíbrio das contas, o técnico elogiou William Pottker, que já foi utilizado no ataque contra o São José, no último jogo antes da parada, e vem em franca evolução física nessas oito semanas de treinamentos.

Muito criticado pelo desempenho no ano passado, era esperado que Pottker ganhasse espaço com Coudet, que gosta de jogadores com esse perfil físico. E é importante constatar que, no modelo de jogo do argentino, diferentemente do time do ano passado, o Inter atua com dupla de ataque e muita gente vindo de trás. Isso faz com que o “9” não precise ficar fixo entre os zagueiros. Nem isolado na frente, nem pelo lado, onde muito corria e pouco produzia, Pottker pode finalmente retomar o nível que fez o Inter buscá-lo da Ponte Preta, em 2017. Thiago Galhardo é outro que se mostrou à vontade para atuar por ali nos primeiros jogos do ano.

Fosse outro momento, em que o Inter não estivesse financeiramente no limite, a manutenção de Erik e Gustavo poderia ser pensada. Mas o fato de serem reservas sem os quais o colorado pode tranquilamente sobreviver faz com que as duas vendas sejam desejáveis atualmente. No caso do centroavante, com o plus de aliviar consideravelmente a folha salarial.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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