OPINIÃO: Com problemas dos dois lados, Grenal da Libertadores será de quem souber se reinventar

Boschilia e Lucas Silva devem começar o Grenal 427, que tem vários desfalques nos dois lados

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

*Por Nícolas Wagner

Não dá para dizer que nem Inter nem Grêmio chegam bem para o segundo Grenal das Américas. A instabilidade é menor no colorado, por conta da suada vitória contra o América de Cali e da gordura criada na ótima arrancada no Campeonato Brasileiro. Mas a equipe de Eduardo Coudet tem duas derrotas consecutivas na competição nacional para os limitados Goiás e Fortaleza. No Grêmio, a crise que Renato Portaluppi e a direção se esforçam em negar advém de uma decepcionante campanha com muitos empates no Brasileiro, e de uma derrota assustadora para a Universidad Católica no pior jogo desta terceira passagem de Renato no comando do tricolor.

Ambos treinadores tem problemas para montar suas equipes para o Grenal 427. Coudet, especialmente no meio de campo. Já não teria Edenilson, por suspensão, e pode perder Patrick e Johnny por lesão muscular. No Grêmio, esses problemas de ordem muscular são crônicos, e afastaram impressionantes 6 titulares dos últimos jogos. Victor Ferraz já retornou, mas Geromel, Kannemann, Maicon, Jean Pyerre e Pepê serão dúvida até momentos antes da partida, ainda mais depois de Renato dizer, após o empate com o Palmeiras, que nenhuma informação sobre os atletas sairá do clube.

Por mais que Edenilson não venha bem, talvez reflexo da indefinição quanto a sua ida para o futebol árabe, ele é um jogador com características únicas no curto elenco colorado. O mesmo vale para Patrick, que, de acordo com os números, é quem mais dribla e desarma no lado vermelho de Porto Alegre. Coudet fica sem dois atletas fundamentais dentro de seu modelo de jogo baseado na intensidade.

Rodrigo Lindoso e Boschilia têm vaga garantida no meio-campo para quarta, mas as outras duas vagas são incógnitas. Nonato seria a opção certa para a meia central, mas foi mal contra o Fortaleza, falhando no gol que deu a vitória ao time de Rogério Ceni. Praxedes volta de suspensão, tem características interessantes de articulação para ali jogar, mas o peso de um Grenal nos seus ombros de 18 anos não indicam sua escalação. Em uma estratégia mais conservadora, Musto poderia entrar, adiantando Lindoso e reeditando a parceria do início da temporada. Por outro lado, uma alternativa ousada seria dar a D’Alessandro a oportunidade de jogar sua 500ª partida pelo Inter no meio, e não no ataque.

As quatro opções, de características distintas entre si, têm em comum o fato de se sentirem mais cômodas jogando na faixa central. Porém, alguém terá que fazer o lado. Isso aumenta as chances de Nonato, que tem mais vitalidade para, por exemplo, acompanhar o lateral adversário. Mas não dá para descartar a utilização do “chuta-chuta” Leandro Fernández nessa função. Por dentro, a experiência, valorizada por Coudet, deve refletir em sua escolha. Musto ou D’Alessandro? Escolher o segundo, que ali entrou contra o Fortaleza, mostraria a audácia necessária de alguém que sequer viu sua equipe fazer gol em Grenal.

No lado tricolor, o principal desafio para Renato será montar sua defesa. Com David Braz e Paulo Miranda suspensos, mesmo que Geromel ou Kannemann retornem de lesão, isso pode cobrar um preço se o retorno for forçado. Por outro lado, atuar com o limitado Rodrigues, o inexperiente Ruan ou com Marcelo Oliveira sem ritmo tampouco é promissor.

No meio-campo, se não puder contar com Maicon e Jean Pyerre, que são esperanças para a retomada do DNA tricolor de toque de bola e jogo apoiado, a melhor opção para Renato é repetir os 3 volantes utilizados no início do jogo contra o Palmeiras. Mesmo que não viva um bom momento, a presença de um jogador com as características de Lucas Silva dão um suporte maior para o setor que estava exposto e passivo apenas com Darlan e Matheus Henrique. Não foi coincidência Raphael Veiga, o meia do Palmeiras, ter aberto o placar na Arena logo depois de Renato desmontar o tripé.

Tendo essa solidez maior no meio, é possível apostar na velocidade e iniciativa pessoal de Ferreira pela esquerda (caso Pepê não volte, claro), com Alisson abrindo o corredor para as ultrapassagens de Orejuela na direita. Assim, o objetivo será abastecer Diego Souza, que vem muito mal tecnicamente, não conseguindo fazer o pivô e não dando sequência às jogadas. Mas irá jogar pelo apreço de Renato e pela carência de jogadores com essa característica no elenco – fruto da inoperância do departamento de futebol gremista no mercado.

O Grenal será de quem souber se reinventar com todos esses problemas para escalar as equipes. A pressão é grande nos dois lados. De um, pelo jejum nos clássicos. Do outro, pelo péssimo desempenho recente. A tendência é de uma partida nervosa e pouco jogada, embora a torcida seja por uma repetição, em termos de qualidade de futebol, do que foi visto no Grenal do 1º turno, que “parou o mundo”.

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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