OPINIÃO: A inusitada e desnecessária contratação do Inter

Volante no Oeste, Matheus Jussa chega por empréstimo para atuar principalmente como zagueiro

Foto: Ricardo Duarte / S.C. Internacional

*Por Nícolas Wagner

A grande notícia da semana que não seja diretamente relacionada à pandemia e ao retorno do futebol por aqui foi a contratação de Matheus Jussa por parte do Internacional. O paulista de 24 anos chega por empréstimo sem custos do Oeste, com contrato que vai até maio de 2021. Segundo relatos da assessoria de imprensa colorada e do próprio jogador, ele vem para atuar como volante e zagueiro.

Trata-se de uma contratação inusitada. Primeiro, por se tratar de um jogador que vem de um clube da Série B, e sem experiência como profissional em equipes de grande porte – teve apenas uma passagem pelo sub-20 do Vasco. Depois, pela forma como aconteceu, em meio à crise financeira que fez dirigentes colorados garantirem que não era momento para pensar em contratações.

Mesmo com custo baixo (fala-se em salário na casa dos R$ 50 mil mensais), é preciso questionar se a contratação era realmente necessária. Ela parte de um pedido de Eduardo Coudet por um zagueiro canhoto para ser opção à Cuesta. Jussa, no entanto, atuou quase sempre como 1º volante no Oeste, onde se destacou na Série B do ano passado apesar da campanha fraca e cheia de empates da equipe paulista. Em entrevista à Rádio Grenal, o técnico Renan Freitas contou que usou o jogador na linha de defesa apenas quando teve zagueiros expulsos durante os jogos.

Por outro lado, o treinador do Oeste explicou que utilizava bastante a saída de 3 na iniciação das jogadas da equipe. A mesma que Coudet faz no Inter. Recuava Jussa na linha dos zagueiros. Pelo centro, como faz Musto, ou pelo lado esquerdo. Nessa fase do jogo, a adaptação não será tão grande para o atleta. O técnico colorado quer uma saída pela esquerda com uma perna de fora, coisa que só Cuesta é capaz de proporcionar no atual o elenco.

Sem a bola é que o desafio será maior, já que terá que atuar na última linha, que exige movimentos coordenados bem diferentes dos de volante. Vale lembrar que esse processo de transformar um volante em zagueiro não é novidade no Inter em 2020. Coudet fez o mesmo com Zé Gabriel. O jovem, inclusive, foi bem nas 5 aparições no Campeonato Gaúcho. Atuando pelo lado esquerdo, se destacou especialmente contra o Caxias com inversões longas e precisas. Com a chegada de Jussa, o garoto deve perder espaço, mesmo possuindo maior potencial de evolução e revenda por ter 21 anos e ser efetivamente patrimônio do clube.

Não se trata de preconceito com atletas que vêm de divisões inferiores. O Grêmio inclusive tem um exemplo recente e bem-sucedido com Léo Gomes, cuja lesão escancarou uma fragilidade imensa na lateral-direita tricolor em 2019. A questão central é que Jussa já não é tão jovem assim para justificar um investimento a longo prazo; ainda precisa se provar em alto nível; vem para um setor no qual não existe carência eminente; barra o crescimento de alguns garotos com potencial; e traz custo extra em meio a um cenário econômico preocupante.

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