“O segmento esportivo é um dos mais afetados”, afirma Gustavo Juchem, Vice-Presidente Jurídico do Inter.

Foto: Rádio Grenal/Arquivo

Em entrevista exclusiva a Rádio Grenal nesta sexta-feira (15), o vice-presidente jurídico do Inter, Gustavo Juchem comentou sobre assuntos importantes do clube. Inclusive sobre o caso envolvendo o ex-jogador colorado, Fernando Bob. O clube gaúcho, foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar quase R$ 700 mil ao volante ex-Inter. A sentença foi proferida pelo juiz da 12ª Vara Trabalhista de Porto Alegre em primeira instância. O atleta atuou pelo Colorado em 2016 e atualmente defende o Boavista, do Rio de Janeiro.

Bob entrou com uma ação contra o Inter na Justiça devido a atraso no pagamento de valores acertados para a rescisão contratual do atleta. O volante alegou que o clube não cumpriu com os termos acertados para romper o vínculo em meados de 2018. No mesmo ano, o volante retornou ao colorado mesmo sem fazer parte dos planos de Odair Hellmann e permaneceu até rescindir para atuar no Minnesotta United, dos Estados Unidos. “A discussão é bastante simples. A ação foi procedente em parte. Esse valor se refere a parte do que devia ser pago ao atleta, e que não pagamos”, explica o vice-presidente jurídico do clube.

Adicionais noturnos

O São Paulo foi condenado, em 2ª instância, a pagar integralmente verbas referentes à adicional noturno e atividades aos domingos e feriados ao volante Maicon do Grêmio, que atuou no clube entre 2012 e 2015. Ainda cabe recurso, mas o valor estimado que o tricolor teria de pagar agora pode chegar a R$ 700 mil. Do outro lado da cidade, na zona leste, o Corinthians fez um acordo com o ex-zagueiro Paulo André. O agora dirigente pedia o pagamento dobrado relativo ao trabalho aos domingos e feriados e aceitou a retirar a ação na justiça após acertar o recebimento de R$ 750 mil.

Apesar das ações com pedidos para adicional noturno e jogos aos finais de semana não serem novas, o fato de elas terem voltado com força e com entendimento favorável aos jogadores gera preocupação nos clubes sobre a criação de jurisprudência em favor dos atletas. O tema, porém, é controverso para muitos outros envolvidos no mundo do futebol. Para Gustavo Juchem, um dos responsáveis pela parte jurídica do Inter, não faz sentido aplicar uma regra genérica, ou seja, é um assunto que precisa ser estudo a fundo para que uma decisão seja tomada. “Para aqueles que conhecem e entendem a peculiaridade da atividade, não faz sentido aplicar uma ação genérica. Quando o atleta joga à noite, no horário das 21:30, por exemplo, também é o horário que a televisão mais paga. Indiretamente, o atleta acaba recebendo mais por isso”, ressalta.

Juchem também entende que o segmento esportivo é um dos mais afetados pela crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, ficando atrás, apenas, do turismo. Um jogador de futebol tem assegurado o seu pagamento, sendo assim, mesmo se o clube não quiser mais o atleta, a instituição ainda deverá pagar o funcionário até o fim do seu contrato. Tendo em vista que a torcida faz diferença na receita, e por consequência no valor dos atletas, não ter público quando a bola voltar a rolar, trará mudanças. “O atleta tem contrato por prazo determinado. Significa que ele tem assegurado o pagamento e bonificações por todo aquele período. Se o clube não quiser mais, mesmo assim terá que continuar pagando até o final. O segmento esportivo é um dos que está sendo mais afetado, talvez só menos que o turismo. Não se sabe quando voltaremos a ter jogos com torcida, que faz enorme diferença na receita, e por consequência no valor dos atletas”, frisa.

Televisionamento dos jogos

A história envolvendo o Inter e a Turner está longe de acabar. O clube alega que o grupo de mídia não pagou um valor de R$ 5,5 milhões referente a luvas, que, conforme estipulado em contrato, já deveria ter entrado nos cofres colorados. Além disso, a direção entende que a empresa norte-americana está tentando forçar um enceramento precoce da parceria, sem pagar a quantia de quase R$ 30 milhões prevista no acordo. Inter e Turner assinaram contrato em 2016, na gestão do então presidente Vitorio Piffero e nesse acordo previa o televisionamento dos jogos colorados do Brasileirão em TV fechada nos canais do grupo de mídia em 2019 e 2020. “Há valores que não estão sendo cumpridos. É um contrato bastante complexo, ligado com outras contratações de mídia. Temos um estudo, se for o caso usaremos para recorrer o pagamento do valor previsto”, pontua Gustavo Juchem.

Demissões em massa

A direção do Inter tomou duas medidas importantes visando salvar as finanças do clube neste período de escassez de receitas devido à pandemia de coronavírus. O presidente Marcelo Medeiros determinou que todos os departamentos cortassem 30% de suas despesas. Além disso, o clube preparou um plano de crise, prevendo uma paralisação no futebol por até 90 dias. Nesse plano de finanças do clube, mais de 40 funcionários foram demitidos, o que gerou criticas tanto por parte dos torcedores quanto pelo presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes Esportivos e Federações Esportivas (SECEFERGS), Miguel Salaberry Filho.

O vice-presidente do departamento Jurídico do Inter comentou sobre as críticas recebidas pelo presidente do Sindicato e ressaltou que mesmo em crise, o colorado manteve uma porcentagem considerável de colaboradores no seu quadro.”O presidente do Sindicato [Miguel Salaberry] foi muito injusto, para dizer o mínimo, com o Inter. Primeiro que o sindicato tem prestado um tratamento distinto a Grêmio e Inter. O que deveria ser destacado é que mesmo com todo prejuízo e com toda crise, o Inter manteve 93% do seu quadro de colaboradores”.

Gustavo Juchem ainda explica que o Sindicato não se preocupa com os trabalhadores que diz representar: “as pessoas estavam em casa, sem trabalhar. Depois, entraram em férias. Esperamos até o momento em que foi possível. Nós já estamos tomando providências. Lamentamos o Sindicato ter vindo a público antes de falar conosco. É um Sindicato com visão ultrapassada e que não se preocupa com os trabalhadores que representa.”

* Por supervisão de: Marjana Vargas

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