Bicampeão da América, Tita brilhou no Flamengo e deu sangue pelo Grêmio, liderando o título do clube em 1983


Por: marcelow,

Apenas dois times brasileiros venceram a Libertadores na década de 1980. Flamengo, em 1981, e Grêmio, dois anos depois, conquistaram o troféu que tentam levar para casa mais uma vez em 2019. Os dois clubes brasileiros se enfrentam nesta quarta-feira (02), às 21h30min, no primeiro jogo da semifinal.

Em comum, os rivais tiveram um nome presente nas duas conquistas nos anos 1980: Tita. O ex-meia habilidoso e peça importante no Fla de Zico ficou marcado no Grêmio pela imagem do seu rosto sangrando após a final contra o Peñarol, em 1983.

“Levei uma cotovelada do zagueiro Olivera, do Peñarol, mas fui até o fim. Era decisão de Libertadores”, afirmou. Aos 61 anos, o ex-jogador mora no Rio e aposta que os cariocas levam vantagem sobre os gremistas na luta por uma vaga na final da Libertadores. “O Flamengo vem trocando o pneu com o carro andando, mas tem um elenco melhor. Se tivesse que colocar dinheiro, eu apostaria no Flamengo”, disse.

Titular no Fla, ele foi um dos pilares da equipe que conquistou o Mundial em 1981. Toda vez que Zico se machucava, o técnico Cláudio Coutinho o deslocava para a função do camisa 10. Sua missão era comandar a equipe do meio para a frente. “Uma responsabilidade muito grande, principalmente por ter de fazer a função do principal jogador do time e do Brasil na época”, lembrou.

No início de 1983, Tita foi emprestado ao Grêmio. “Foi um risco, mas também a afirmação da minha decisão de sair de um timaço como o Flamengo para mostrar o meu valor no Grêmio. Foi um momento maravilhoso”, afirmou.

A transferência para o time gaúcho aconteceu justamente pela insatisfação do promissor jogador em ter de atuar fora da sua posição, já que na equipe carioca ele normalmente jogava pelos lados do campo.

Escolhido pelo técnico Valdir Espinosa, o ex-meia encaixou tão bem no Grêmio que foi um dos líderes do elenco. “Tinha uma qualidade técnica muito grande, era guerreiro e muito determinado. Ele inflamava a equipe. Outro detalhe importante: sem bola se entregava na marcação e com a bola era muito ofensivo”, afirmou o ex-treinador do Grêmio.

A decisão da Libertadores de 1983 foi contra o tradicional Peñarol, do Uruguai. No primeiro jogo, ele fez um gol no empate de 1 a 1 em Montevidéu. Na volta, vitória por 2 a 1, gols de Caio e César, e título garantido.

Uma imagem que ficou marcada após a conquista da Libertadores foi a de Hugo De León com o rosto cheio de sangue. Mas ao contrário de Tita, com o zagueiro gremista não foi uma agressão que produziu o ferimento. “O De León enterrou o troféu na cabeça, mas tinha um prego na parte interna da base. Quando ele tirou a taça, sofreu um corte na testa. Pouca gente sabe disso”, lembrou o ex-meia.

Campeão do mundo pelo Flamengo em 1981, Tita teria a chance de buscar o bi-mundial com o Grêmio após o título continental em 1983. Com a saída de Zico do clube carioca, porém, ele optou por retornar ao Rio para assumir a camisa dez do time que o revelou. “Olha, se eu pudesse voltar no tempo, não teria saído do Grêmio. Eu ficaria para disputar o Mundial de clubes no final do ano”, afirma.

Em 1984, os dois clubes voltaram a se cruzar em uma Libertadores, mas daquela vez ele defendia a equipe do Rio. O encontro foi pelas semifinais do Grupo B, que tinha ainda o Universidad de Los Andes, da Venezuela.

Ao final da fase, os dois times terminaram empatados em primeiro. Assim, foi necessário um jogo extra. A partida aconteceu no Pacaembu. O Grêmio, que tinha a vantagem do empate, segurou o 0 a 0 e foi para a final da competição. “O equilíbrio era muito grande entre as duas equipes. No jogo do Pacaembu, o Grêmio soube garantir a vantagem e se classificou. Mas tenho orgulho em ter feito parte da história desses dois grandes times”, disse o bicampeão.

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