Subprocurador de Justiça, Marcelo Dornelles, dá detalhes sobre investigação da gestão Vitorio Piffero


Por: Valéria Possamai,

O subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, foi o convidado do programa Grenal Futebol Clube, da Rádio Grenal, nesta quinta-feira. Em entrevista, o membro do Ministério Público do RS deu detalhes sobre a operação deflagrada contra a apropriação e desvio de valores do Inter durante a gestão do ex-presidente, Vitorio Piffero.

Na manhã de quinta-feira, a Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, com apoio da Brigada Militar, cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em para a investigação de crimes de apropriação indébita, estelionato, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro durante a gestão 2015/2016, do presidente Vitorio Piffero. Além do ex-presidente, também são alvos da operação os ex-dirigentes Pedro Antonio Affatato, Alexandre Silveira Limeira, Emídio Marques Ferreira, Marcelo Domingues de Freitas e Castro, Carlos Capparelli Pellegrini. A investigação ainda analisa as condutas de empresários de futebol, além de pessoas vinculadas a empresas de construção civil, de turismo e de contabilidade.

Conforme o subprocurador, a investigação surgiu em decorrência de uma auditoria realizada pelo próprio Conselho Deliberativo do Inter, que analisou as contas da gestão 2015/2016, cujo presidente era Vitório Piffero.

“A partir dessa análise, trabalhando como um caso criminal não como uma questão de clube, de esporte. Foram 20 alvos, aprendemos muita coisa que vai será analisada. Mas de plano, nós já conseguimos fazer uma demonstração de que efetivamente há irregularidades, há crimes demonstrados desde já. Observamos que em todos os ramos daquela administração tinha problemas criminais.”

De acordo com as investigações, Dornelles explica que uma das principais formas de desvio de dinheiro era realizada da tesouraria do clube pelo vice-presidente de Finanças à época, Pedro Affatato, aos quais eram alegados serem utilizados para o pagamento de obras para empresas de construção civil e prestação de serviços, os chamados adiantamentos. Cerca de R$ 10 milhões entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, foram retirados diretamente por Affatato que, depois, eram comprovados por meio de notas fiscais emitidas a título de obras que não foram realizadas.

“Criou-se uma prática naquela gestão em que o vice-presidente retirava dinheiro vivo. Os saques em dinheiro eram feitos após as partidas. A renda da bilheteria ia diretamente para o esquema de lavagem de dinheiro”.

Além do desvio de dinheiro para supostas obras que não foram realizadas, às investigações do MP apontam que houveram desvio de dinheiro em negociações e renovações com atletas, de acordos trabalhistas firmados com atletas.

Conforme o órgão, agora haverá uma analise no material que foi encontrado durante a busca e apreensão: “A condenação pode resultar em uma reparação dos danos, é uma hipótese de uma eventual ação penal. No âmbito civil, acho que o Sport Club Internacional já se movimenta para tentar ter esse dano reparado”, destacou Flávio Duarte, promotor de Justiça, em entrevista coletiva.

OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA DO SUBPROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA, MÁRCIO DORNELLES:

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