Gestão Piffero: pagamento a ‘pai de santo’ foi usado para justificar fraude de valores


Por: Valéria Possamai,

Entre as fraudes e os crimes apontados pela investigação Rebote, do Ministério Público do RS, que apura a gestão 2015-2016 do Inter, quando o clube era comandado por Vitório Piffero, uma das justificativas apresentadas para alegação de contas chamou a atenção. O pagamento a um “pai de santo” foi utilizado para tentar justificar a manobra de valores que não poderiam ser contabilizadas no clube.

Conforme o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Flávio Duarte, o que gerou alerta sobre a justificativa do valor utilizado para este serviço foi com relação a data. A primeira nota do pagamento ao pai de santo foi entregue em março de 2015, quando o clube não apresentava motivos palpáveis, No mesmo ano, o time levantou a taça do Campeonato Gaúcho. A queda para a segunda divisão somente em 2016. Tal justificativa foi apresentada por um dos dirigentes do clube, do departamento de patrimônio, que era comandada por Emídio Marques Ferreira. 

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, o Ministério Público do RS apresentou detalhes da segunda fase da operação que investiga a ocorrência dos crimes de estelionato, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro durante a gestão 2015/2016 do Inter, liderada à época pelo presidente Vitorio Piffero. Denominada Operação Rebote, a investigação é considerada “a maior operação do Brasil, no que diz respeito futebol, pela quantidade de informações a fatos apurados.”

Operação Rebote: detalhamento das denúncias criminais da gestão Piffero

Conforme, o sub-procurador-geral do Ministério Público, Marcelo Dornelles, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Flávio Duarte e o procurador-geral do MP, Fabiano Dallazen, depois do material analisado durante dois anos, serão apresentadas duas denúncias criminais à Justiça. A primeira delas se refere ao núcleo de Finanças e Patrimônio e a segunda ao núcleo Futebol.  As investigações apontam desvios superiores a R$ 13 milhões. O clube poderá cobrar o ressarcimento.

Toda a documentação também será encaminhada a FIFA e a CBF, para que os empresários e dirigentes sejam apurados as condutas. Inclusive em associações de classe, que neste caso, envolve nomes de engenheiros envolvidos nas fraudes.

Foto:(Divulgação/MPRS)

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