Especial Dia da Mulher: “As guerreiras do campo”


Por: Valéria Possamai,

O ano era 1911, em uma cidade americana, um incêndio em uma fábrica vitimou mais de 125 mulheres, entre 13 e 25 anos. A tragédia se tornou um marco na história feminista porque desde 1909 às mulheres já iam para às ruas buscando igualdade, no mercado de trabalho, na política e na sociedade. Em 1975, a Organização das Nações Unidas, instituiu o dia 8 de março como a data que representaria o movimento das lutas das mulheres pela igualdade. 

Estamos em 2019 e as mulheres continuam nesta batalha. Infelizmente, a realidade do século 20, apesar de distante no tempo, ainda se assemelha às desigualdades na atualidade quando o assunto se refere às mulheres no esporte.  No País do Futebol, o mesmo sonho, o de se tornar um profissional da bola, ainda é diferente para meninos e meninas. Desde a iniciação na prática são visíveis as barreiras que meninas precisam enfrentar para poder vestir a camisa do seu clube e atuar no esporte que amam.

As oportunidades nos times profissionais são restritas. Os clubes investem muito pouco na modalidade feminina. O calendário de competições e os salários ainda parecem estar longe de se tornarem igualitários.

Apesar de todos esses problemas, as mulheres têm honrado o lema típico do brasileiro, “não desistir nunca”. A maior prova disso: Marta.  É daqui, o talento que encanta o mundo com os pés. Eleita seis vezes a melhor do mundo, a brasileira é a maior vencedora entre todos os atletas no prêmio individual da FIFA, superando estrelas como o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo.

Mas, nem mesmo a conquista de seis taças resultaram em sinal de reconhecimento.  Em uma entrevista ao Uol Esporte, a jogadora revelou que seria capaz de trocar às conquistas para que as mulheres tivessem mais visibilidade no futebol

Neste ano, enfim, a modalidade feminina passa a figurar de maneira diferente o cenário esportivo. A prática que chegou a ser proibida durante o governo de Getúlio Vargas em 1941, agora, ganha o apoio da Lei. A partir de 2019 se torna obrigatório a prática do futebol femininos nos clubes que irão disputar a Série A do Campeonato Brasileiro e competições da CBF. A regra se estende também à CONMEBOL, na disputa da Copa Libertadores da América.

Em consulta à CBF, todos os 20 clubes que irão disputar a elite do futebol brasileiro estão com o futebol feminino em atividade. Já pelos lados argentino, os times que irão jogar a Copa Libertadores assinaram um termo de compromisso para o desenvolvimento da modalidade, tendo em vista que às competições femininas ainda não iniciaram no país.

No contexto da Dupla Gre-Nal, a modalidade feminina vem sendo desenvolvida desde 2017, em ambos os clubes.  Durante as duas temporadas, às equipes disputaram as edições do Brasileirão Feminino e também o Campeonato Gaúcho, principais competições da temporada.

Neste ano, o Internacional disputará a série A1 do Brasileirão Feminino, já o Grêmio, estará na série A2 porque foi o campeão da edição de 2018 do estadual.  Em apoio ao desenvolvimento do futebol feminino, a CBF também reformulou o modelo de competições. Neste ano, o calendário de futebol feminino da CBF ganhou duas novas disputas e um torneio de base.

Hoje, celebramos o Dia Internacional da Mulher, mas o futebol feminino, assim como às mulheres, merecem ser lembrados com respeito e igualdade durante os 365 dias do ano.

Ouça a matéria especial produzida pelas repórteres Ana Aguiar e Valéria Possamai, com edição de Paulo Pinho:

Foto:(Divulgação/S.C.Internacional)

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