Alexandre Limeira contesta competência da Comissão Especial e crítica denúncia: “Fui caçado”


Por: Valéria Possamai,

O Programa Café com Futebol, da rádio Grenal, recebeu nesta sexta-feira, o ex-vice de administração na gestão 2015/2016, Alexandre Limeira, apontado no relatório produzido Comissão Especial de Apuração do Conselho Deliberativo do Inter, que apura fatos irregulares na gestão de Vitório Piffero.

O ex-vice de administração é denunciado em apenas um item, pela utilização indevida e abusiva do Cartão de Crédito Corporativo do clube. A acusação é frontalmente criticada por Alexandre Limeira, que afirma possuir provas sobre os gastos e se diz “cassado”, por questões políticas.

Em sua defesa, o ex-dirigente também contesta competência da Comissão Especial para o julgamento dos atos. O ex-dirigente explica que quando houve a instalação da Comissão, em setembro de 2017, a APFUT( órgão regulador da lei do Profut), notificou o Inter de que o estatuto do clube não previa o afastamento por conta de atos de gestão temerária ou irregular, como está sendo apontado pela denúncia do relatório. À época, o estatuto do clube só previa o afastamento em caso de gestão por improbidade, que não se configura como atos de gestão temerária ou irregular, conforme a Lei 13.55/15 do Ministério do Esporte.

Ao receber a notificação do órgão em dezembro de 2017, a Comissão de Assuntos Legislativos, Estatutários e Regimentais emitiu um relatório em maio de 2018, com às emendas estatutárias prevendo a previsão de gestão irregular ou temerária. Em agosto deste ano, houve a reunião da Mesa do Conselho do Inter para a aprovação e a alteração estatutária para atender a APFUT. No entanto, até o momento não consta votação em Assembleia Geral para sócios, para a aprovação da emenda. Portanto, o estatuto atual do clube não prevê a apreciação em caso de gestão irregular ou temerária.

“O que eu gastei de refeições, também é semelhante aos outros anos de gestão. Mas quando foi solicitar o demonstrativo dos últimos 10 anos, para provar que meu comportamento era similar, me foi negado. A justifica é de que a sindicância se restringe a 2015 a 2016. A minha defesa é ampla, eu posso utilizar outros anos para mostrar similaridade”.

Com relação a denúncia, Limeira afirma que passou ser acusado após a denúncia da compra irregular de um dos camarotes do estádio Beira-Rio. O ex-diregente se diz perseguido pelas acusações: “Esse assunto da sindicância começou a ser apontado em relatório do conselho fiscal e não tinha apontamento sobre o uso do cartão. E em cima da primeira sindicância que foi realizada com o presidente Amarante. Tinha apenas 12 itens, não havia esse item 14. Em um dos depoimentos em que fui chamado, falei sobre o Camarote e a partir dali, eles começaram a me perseguir. Incluíram um item que sequer estava nas primeiras sindicâncias, ou no relatório do conselho fiscal.”

Entre as 33 páginas apresentadas com argumentos de defesa, o ex-dirigente contesta ainda a implicação de norma de uso do cartão corporativo do clube. No documento, Limeira aponta a própria contradição do relatório em que é acusado por conta da falta de indicação do motivo dos gastos e da relação dos beneficiários e sem ressarcimento aos cofres do Clube”, baseado na Norma de Procedimentos sobre Cartões Corporativos, apresentado pelo Sr. Sandro Farias da Controladoria e Transparência do Clube. No próprio relatório é evidenciado que na página 77, que a “Comissão Especial se aprofundou e descobriu que esta Norma de Procedimentos Sobre Cartões Corporativos jamais foi datada e jamais foi encaminhada para os Vices-Presidentes.”

Além de Alexandre Limeira, outros três dirigentes são denunciados no relatório e 83 paginas, produzido pela Comissão Especial: o ex-presidente Vitório Piffero, o ex-vice de finanças Pedro Affatato e o ex-vices de patrimônio, Emídio Marques Ferreira.

A apreciação da denúncia contra os citados está marcada para o 24 de outubro. No relatório produzido pela Comissão Especial de Apuração do Conselho Deliberativo foram elencados 15 fatos que transcorreram no mandato do ex-presidente Vitório Piffero, e que careciam de análise em relação à gestão. Do total, em nove não houve contação de irregularidades. Um foi considerado fora da análise de competência da Comissão Especial. Este ponto específico foi encaminhado ao Ministério Público, onde já uma investigação em andamento referente a este caso envolvendo a gestão de Vitório Piffero.

Acesse a íntegra da defesa de Alexandre Limeira

 

Entenda os fatos em que são denunciados os ex-dirigentes da gestão de Vitório Piffero

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